Especial mês da mulher – Entrevista com Dr. Giuliano Bedoschi sobre Preservação de Fertilidade


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Dr. Giuliano Bedoschi sobre Preservação de Fertilidade

Com tantos avanços tecnológicos na medicina, cada vez mais os casais optam por retardar o aumento da família, seja por fatores psicológico, financeiros ou sociais, sendo essas 30% das mulheres que procuram engravidar após os 30 anos de idade, segundo dados do Ministério da Saúde. Já em outros casos, o retardo acontece devido ao surgimento de doenças que requer tratamentos, os quais geralmente são divididos em três processos; cirurgia, quimioterapia e radioterapia, sendo o mais comum a doença do câncer. Nesse caso a produção de óvulos e espermatozóides pode ser comprometida impossibilitando seus portadores a terem filhos no futuro. Com isso, para esses pacientes, os métodos de prevenção de fertilidade são importantes para que após a cura, os possibilitem na realização de seus sonhos, na geração de um filho.

Atualmente, a prevenção de fertilidade conta com técnicas avançadas de reprodução assistida, como, por exemplo, criopreservação de sêmen, criopreservação de tecido ovariano, criopreservação de óvulos entre outros, dando ao paciente tempo hábil para começar os procedimentos de quimioterapia ou radioterápicos. Porém a técnica escolhida dependerá da idade do paciente, do tipo de câncer e do tempo disponível para que as medidas possam ser tomadas sem atrapalhar o sucesso do tratamento oncológico, mas esta escolha só deverá ser feita em conjunto com o seu médico responsável do seu tratamento.

Apesar das facilidades causadas pela técnica de preservação de fertilidade, ainda há muitas dúvidas entre os casais sobre o procedimento, para esclarecê-las e passar mais tranquilidade sobre o assunto o Dr. Giuliano Bedochi, ginecologista da Mater Prime, clínica de reprodução humana, pós-graduado em preservação da fertilidade pelo New York Medical College responde um questionários das dúvidas mais frequentes sobre o tema, com objetivo de proporcionar mais confiança e tranquilidade no tratamento e consequentemente da realização do sonho da família.

As dúvidas sobre preservação de fertilidade

1.    O que é preservação da fertilidade?

O termo “preservação da fertilidade” se refere ao novo direcionamento dado a todos os avanços das técnicas de reprodução assistida e criopreservação. Os tratamentos de preservação da fertilidade podem ser utilizados em diferentes cenários, tais como pacientes que desejam postergar a gravidez ou pacientes diagnosticados com câncer que realizarão tratamentos com quimioterapia, radioterapia ou tratamentos cirúrgicos em órgãos reprodutivos. Todos esses tratamentos oncológicos apresentam riscos à fertilidade.

2.    Como é feita a retirada dos gametas no homem?

A criopreservação de espermatozoides foi à primeira técnica considerada estabelecida para preservação da fertilidade e hoje em dia já é utilizada de maneira rotineira na reprodução assistida. Os espermatozoides podem ser obtidos por masturbação, ou podem ser retirados diretamente do epidídimo ou testículo em casos específicos.

3.    E na mulher?

O congelamento de óvulos também já é considerado uma técnica estabelecida para preservação da fertilidade. Recentes avanços das técnicas utilizadas para o congelamento de óvulos permitem altas taxas de sobrevida dos óvulos após o descongelamento. Os óvulos devem ser obtidos através da punção dos ovários guiadas por ultrassom transvaginal, após a realização do estimulo ovariano por aproximadamente 10 dias do início do ciclo menstrual.

4.    Quais tecidos e gametas podem ser preservados?

Atualmente contamos com o congelamento de espermatozoides, óvulos, embriões, tecido ovariano e tecido testicular, sendo esse último considerado altamente experimental. Vale lembrar que no mundo já temos mais de 35 bebês nascidos após transplante de tecido ovariano e essa técnica é considerada promissora entre os grandes especialistas do mundo.

5.    Qualquer pessoa pode realizar a preservação?

Infelizmente não. Algumas pacientes diagnosticados com câncer possuem a necessidade de começar o tratamento de maneira urgente (ou algumas vezes demoram para procurar um especialista em Preservação da Fertilidade) e não possuem tempo hábil para a realização de um procedimento que ofereça boas chances futuras de gravidez. Esses casos geralmente não ocorrem com homens, já que a coleta de espermatozoides pode ser realizada no mesmo dia.

6.    Existe uma idade limite para retirar os gametas?

Não existe uma idade limite para o congelamento de espermatozóides, porém as chances de sucesso com o congelamento de óvulos começam a cair de maneira significativa após os 35 anos de idade, sendo que esse procedimento raramente é indicado após os 42 anos de idade.

7.    Por quanto tempo os gametas podem ficar congelados?

Os estudos que avaliam a questão do tempo de congelamento e taxas de sucesso dos tratamentos de preservação da fertilidade mostraram que não existe um período crítico de congelamento, existindo relatos de gravidez com embriões que estavam congelados por mais de uma década antes de serem utilizados.

8.    Qual a principal diferença entre a conservação de gametas e de embriões?

No congelamento de embrião, temos a presença dos dois gametas fertilizados, ou seja, o embrião congelado é fruto da união do espermatozoide com o óvulo. Isso pode ter implicações legais, já que o embrião legalmente pertence aos dois membros do casal. Os gametas também podem ser congelados, nesse caso o gameta pertence a pessoa de quem foi retirado o óvulo ou espermatozóide.

9.    Apenas pacientes oncológicos devem realizar a conservação?

Não. Hoje me dia o número de mulheres que buscam os tratamentos de preservação da fertilidade vem aumentando consideravelmente. A conscientização do impacto negativo da idade da mulher nas chances de sucesso da gravidez ocorreu de maneira importante nos últimos anos e cada vez mais mulheres procuram os tratamentos de congelamento de óvulos. Vale lembrar que idealmente o congelamento de óvulos deve ocorrer antes dos 35 anos, pois assim ofereceremos boas chances de gravidez no momento que descongelarmos esses óvulos para gerar a gravidez.

10.  O que acontece com o material congelado e não utilizado?

Se gametas (óvulos ou espermatozoides) ou tecidos (tecido ovariano ou testicular) estiverem congelados, esses poderão ser doados (gametas) ou descartados (gametas ou tecidos) a qualquer momento, conforme o desejo do paciente. No caso específico do congelamento de embriões, esses poderão ser doados a qualquer momento ou descartados após 5 anos de congelamento, segundo as recomendações do Conselho Federal de Medicina.

11.  É possível doar os gametas ou embriões congelados?

Sim. Em nossa clínica os pacientes que desejam doar os gametas (óvulos ou espermatozoides) ou embriões congelados precisam assinar termos de consentimento específicos e estão autorizados a doar se assim quiserem.

12.  Homens que desejam fazer a vasectomia devem congelar espermatozoides?

Esse é um assunto comumente abordado pelo urologista antes da realização da vasectomia. Por se tratar de um método contraceptivo definitivo, a decisão pela vasectomia deve ser muito bem discutida, assim como o congelamento de sêmen deve ser oferecido como parte de um atendimento integral do paciente.

13.  Mulheres que querem fazer a laqueadura também devem?

Atualmente esse assunto não é comumente abordado pelo ginecologista. A laqueadura tubária é um método contraceptivo definitivo e as mulheres que optam por esse métodos devem ter capacidade civil plena e devem ser maiores de vinte e cinco anos de idade ou, pelo menos, com dois filhos vivos. Não acredito que a indicação do congelamento de óvulos ocorrerá nesses casos, mas com certeza uma discussão mais aprofundada sobre outros métodos disponíveis para contracepção, tais como os métodos de longa duração (DIU cobre, SIU ou Implante), deve fazer parte do atendimento integral da paciente.

14.  Quais tipos de pacientes buscam a preservação da fertilidade?

Pacientes diagnosticados com câncer que realizaram tratamento oncológico com quimioterapia, radioterapia ou cirurgia em órgãos reprodutivos e pacientes que desejam postergar a gravidez por diferentes razões.

15.  Existe algum risco na gestação com gametas ou embriões congelados?

Hoje em dia grande parte dos tratamentos de reprodução assistida utilizam a criopreservação como parte do tratamento para obter a gravidez. Aproximadamente metade de todas as nossas pacientes que realizarão ciclos de fertilização in vitro terão que congelar seus embriões para trabalhar com segurança e boas chances de gravidez. Como são muitos os casos de congelamento, vários estudos já avaliaram a segurança de tal técnica e os riscos de malformações ou desfechos adversos não são maiores após o congelamento.

16.  Como é o processo para engravidar com esses gametas?

Os óvulos ou espermatozoides que estão criopreservados devem ser descongelados e posteriormente fertilizados no próprio laboratório de fertilização in vitro para a geração do embrião. Após o desenvolvimento do mesmo na incubadora no laboratório, realizamos a transferência do embrião para dentro do útero para obtenção da gravidez.

17.  Existe algum risco na preservação da fertilidade?

Os tratamentos de Preservação da Fertilidade são considerados rápidos, seguros, minimamente invasivos e dificilmente apresentam complicações.

18.  Como a quimioterapia e a radioterapia interferem na fertilidade?

Os tratamentos oncológicos podem comprometer a fertilidade por diferentes mecanismos. Diversos trabalhos apontam danos tóxicos diretos aos folículos/testículos por meio dos agentes quimioterápicos, morte celular dos gametas através da radioterapia e até mesmo danos à vascularização dos ovários e testículos como os principais mecanismos responsáveis pelo comprometimento da fertilidade.

19.  Isso depende da localização do câncer?

Não. A indicação dos tratamentos de preservação da fertilidade é realizada após análise do tipo de tratamento oncológico que a paciente será submetida. Algumas pacientes podem não ter necessidade de tratamento quimioterápico, ou o tratamento proposto não comprometerá de maneira significativa a reserva ovariana dessa paciente, e nesses casos, não existe uma indicação formal aos tratamentos de preservação da fertilidade.

 20.  Após quanto tempo o paciente pode buscar a gravidez?

Os pacientes que realizaram tratamentos de preservação da fertilidade por motivos oncológicos devem aguardar a liberação para a gravidez pelo oncologista. Existem diferentes tipos de câncer e o seguimento oncológico após o tratamento ocorre de maneira individualizada. Por exemplo, mulheres com tumores de mama com receptores hormonais positivos muitas vezes necessitam de tratamento hormonal após a realização do tratamento cirúrgico/quimioterápico. Durante o período do tratamento hormonal, geralmente 5 anos, elas não podem engravidar devido ao risco de recidiva do tumor e também pelos riscos teratogênicos (malformações do bebê) do tratamento hormonal. Mulheres diagnosticadas com outros tipos de tumor,sem receptores hormonais positivos, geralmente podem engravidar em um período de tempo mais curto.

Os pacientes que realizaram os tratamentos de preservação da fertilidade para postergar a gravidez podem buscar engravidar logo quando desejarem.

Caso persistas algumas dúvidas entre em contato com a Mater Prime e agende uma consulta com um médico de nossa equipe, teremos o enorme prazer em sanar suas questões.



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