Reprodução humana – Bebê gerado com material genético de três pessoas causa polêmica


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O recente caso do nascimento da primeira criança gerada a partir de técnica de reprodução assistida envolvendo o material genético de três indivíduos tem reascendido uma antiga polêmica sobre a manipulação genética de embriões humanos.

De acordo com a notícia divulgada pela revista científica “New Scientist”, graças a uma equipe de médicos americanos, especialistas em reprodução humana, a criança nasceu no México, em abril, e até agora não apresenta nenhuma alteração. A técnica empregada pelos médicos é bastante polêmica devido incluir o material genético de outra mulher, por meio da doação de óvulos, na geração do embrião.

No caso, apresentado no Congresso Científico da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva entre 15 e 19 de outubro de 2016, o casal buscou o auxílio dos especialistas após a perda de duas crianças devido uma síndrome rara e fatal, que afeta o sistema nervoso central e é encontrada em cerca de 25% das mitocôndrias femininas, a síndrome de Leigh. Ao tomar conhecimento sobre o caso, o médico John Zhang, juntamente com a equipe do Centro de Fertilidade New Hope, apresentou a opção da técnica ao casal.

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Como a técnica de reprodução humana foi realizada?

As mitocôndrias são estruturas que possuem os próprios conjuntos de informações genéticas, que passam para os descendentes. Em algumas situações, como na paciente relacionada ao caso, esse DNA mitocondrial sofre alterações e apresenta falhas nas estruturas celulares. No entanto, essa característica não é passada para o núcleo do óvulo.

Pensando nisso, Zhang teve a ideia de utilizar um óvulo de uma doadora, retirar o núcleo desse óvulo e transferir apenas o núcleo do óvulo da paciente, originando um óvulo novo, formado a partir do material genético de duas mulheres.

Após essa etapa, o óvulo foi fertilizado pelo gameta do parceiro, em laboratório, como ocorre em tratamentos de fertilização in vitro convencionais, onde foi monitorado. Quando o embrião alcançou o período ideal, foi transferido para a cavidade uterina da paciente, desenvolvendo a gestação.

Para alguns especialistas, o procedimento representa uma chance para que milhares de mulheres que apresentam defeitos nas mitocôndrias possam gerar filhos com material genético delas. Contudo, para outros especialistas, a técnica ainda deve ser melhor estudada para garantir a segurança e a eficácia do procedimento.

Quais são os receios com relação ao procedimento?

Especialistas, como o Dr. Giuliano Bedoschi, acreditam que a técnica precisa ser melhor estudada antes de se tornar um procedimento indicado às pacientes.

“Hoje a criança está bem, saudável, e fico muito feliz pelos seus pais, mas não se sabe que consequências de longo prazo terá misturar o material genético do núcleo da mãe com o DNA mitocondrial da doadora, ou como esta criança estará quando tiver 40, 50 anos.” – defende o Dr. Giuliano Bedoschi, especialista em reprodução humana da Clínica Mater Prime, à matéria divulgada no jornal O Globo sobre o caso.

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Os especialistas também têm receio quanto à causa que levará os pais a adotarem a técnica para a concepção dos filhos e lembram de algumas questões éticas sobre a manipulação genética de embriões humanos, como é o caso do fantasma da eugenia. A eugenia era uma filosofia surgida no século XIX, que pregava a melhoria da população por meio de casamentos e relações entre pessoas com características consideradas superiores às de outras pessoas. Essa situação, dependendo da época, passou a excluir doentes mentais, negros, índios, judeus, entre outros.

“Por enquanto o motivo é nobre, mas isto também abre uma porta que não sabemos aonde vai parar, o que mais vamos poder mudar no DNA de uma criança para ela nascer saudável. Temos que ponderar isso, o que vai exigir novas regulamentações sobre o que pode ou não pode ser feito.” – conclui o Dr. Giuliano Bedoschi.

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