Preservação da Fertilidade

No Brasil, cerca de 518.510 mil homens e mulheres serão diagnosticados com câncer durante o decorrer de 2014. Muitos deles desejam ter filhos após o diagnóstico e a cura da doença, mas deparam-se com um problema: tratamentos oncológicos podem reduzir a fertilidade ao comprometer óvulos e espermatozoides dos pacientes.

O risco de comprometimento do sistema reprodutivo depende da idade e do sexo do paciente e do tipo e duração do tratamento. Os danos mais graves ocorrem devido a irradiação na região dos ovários ou testículos e utilização de quimioterapia, principalmente após o uso de “agentes alquilantes”, tais como a ciclofosfamida, mecloretamina, clorambucil, e melfalano.

Embora a produção de espermatozoides possa voltar após o tratamento, os óvulos geralmente não se regeneram, o que pode resultar em um quadro de menopausa precoce. Tal risco é menor para as mulheres mais jovens e para aquelas que recebam doses menores de quimioterapia.

Apesar da preocupação com a fertilidade, vale lembrar que o primeiro objetivo do tratamento oncológico é curar o câncer, ainda que o tratamento possa apresentar efeitos colaterais. Apesar do risco, atualmente existem várias opções que podem ajudar na preservação da fertilidade antes de tais tratamentos oncológicos, sem contar a adoção, que é uma opção para casais que não podem ter filhos naturalmente ou por meio da reprodução assistida.

Antes do tratamento

Algumas medidas podem ser tomadas por homens e mulheres antes de iniciar o tratamento oncológico para preservar a fertilidade e conseguir gerar filhos após a cura da doença. As técnicas para preservação da fertilidade são:

  • Para o homem: amostras de sêmen podem ser congeladas antes do início da quimioterapia ou radioterapia. Tais amostras podem ser armazenadas durante anos e mais tarde utilizadas para inseminação artificial. A concentração de espermatozoides pode ser reduzida como resultado do câncer subjacente, como por exemplo nos casos de leucemia. Se a concentração de espermatozoides é baixa e/ou a oferta é limitada a partir da amostra congelada, a amostra de sêmen pode ser utilizada para a fertilização in vitro (FIV) ou para a injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI).
  • Para a mulher: Se o tempo até o início do tratamento permitir, as mulheres podem realizar estimulação ovariana para preservação da fertilidade através do congelamento de óvulos ou embriões. Os óvulos maduros ou os embriões gerados através da FIV são congelados e podem ser armazenados durante anos. Os fatores limitantes para esta abordagem incluem o tempo disponível até o início do tratamento oncológico, as despesas com os procedimentos de reprodução assistida e o possível atraso do tratamento do câncer. Se o tratamento oncológico proposto for a irradiação para a região da pelve, os ovários podem ser reposicionados cirurgicamente para fora do campo de irradiação. Isto reduzirá o risco de danificação dos ovários pela irradiação e é considerada uma técnica estabelecida para a preservação da fertilidade.

Técnicas de preservação em estudo

Alguns pesquisadores sugerem que a supressão da função ovariana pode proteger os óvulos contra os efeitos adversos do tratamento quimioterápico. Entretanto, estudos recentes publicados nas melhores revistas científicas demonstraram ausência de preservação da fertilidade com o uso de pílulas anticoncepcionais, agonistas GnRH, ou outros meios de supressão hormonal.

O congelamento de tecido ovariano, técnica que requer cirurgia laparoscópica para remoção do tecido ovariano também pode se tornar uma alternativa. Uma vez congelado, o tecido pode ser armazenado durante anos. Estudos preliminares têm mostrado que o tecido ovariano reimplantado pode sobreviver e funcionar por um tempo limitado. Atualmente 35 bebês já nasceram com essa técnica e algumas gestações estão em andamento.

A fertilidade após o tratamento do câncer

Podem passar anos até que a produção de espermatozoides volte após o tratamento oncológico. Se após o período a concentração de espermatozoides for consistentemente baixa, a inseminação artificial e a FIV podem ser tratamentos eficazes para alcançar a gravidez.

Se os espermatozoides não forem encontrados na análise do sêmen é possível utilizar a biópsia testicular para obtê-los. Já se os mesmos não puderem ser obtidos, a gravidez pode ser possível utilizando espermatozoides congelados de um banco de sêmen de doadores. O médico oncologista responsável pelo tratamento do câncer pode solicitar ao casal esperar até seis meses após o término do tratamento para engravidar.

Já as mulheres devem consultar um especialista em reprodução humana para verificar a existência de danos aos órgãos reprodutivos após a liberação feita pelo médico oncologista. Após o tratamento contra o câncer, algumas mulheres ainda são capazes de engravidar naturalmente ou através de tratamentos de reprodução assistida. No entanto, se o dano ao sistema reprodutivo for significativo, o casal pode ainda considerar os tratamentos de doação de óvulos ou embriões, o útero de substituição ou a adoção.

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